terça-feira, 14 de setembro de 2010

A outra!




O telefone toca sempre depois da meia noite, só pra saber como você está.
As conversas sempre interrompidas no meio porque alguém está chegando e não pode ouvir ou desconfiar.
Telefonemas suprimidos, números desconhecidos, nunca são atendidos e se forem quem fala primeiro é quem liga, nunca você.
Cinemas, praias, festas familiares não são bons lugares, muitas pessoas, probabilidade enorme de conhecidos. Na rua dois desconhecidos, no quarto duas almas ardentes em brasa.
Feriados, finais de semana, horas contadas, hora certa para se amar alguém.
Hora exata para o começo e para o término da felicidade.
Como aguentar? Porque continuar? Porque não continuar?
Por que alguém se submete a dividir o amor que poderia ser somente seu com outra pessoa?
Seria alguma forma de autodefesa? Ou extrema necessidade de amar alguém?
Às vezes você é bem mais compreendido por quem não pode manter uma relação verdadeira com você, os diálogos parecem mais sinceros, os sentimentos embora conflitantes parecem mais verdadeiros, não há expectativas na relação, não a jogos, não a mentiras todos sabem onde estão pisando, todos sabem o real motivo de estarem ali.
Por ser poucas vezes, por tão pouco tempo parece que tudo é bem mais elaborado, voraz.
Não existe a necessidade de mentir! Vai ver o grande segredo da relação e a ausência de mentiras, naquele momento, naquela hora incerta em que dois corpos somente se prometem amar, sem pensar nas conseqüências de suas ações, no sofrimento de suas ações.
No momento melhor ser amada com hora marcada, do que ficar em terrível questionamento sobre relações que tem tudo para dar certo porem são fadadas ao fracasso sem motivos aparentes.

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